Thursday, August 27, 2009

[EU NÃO SOFRO TANTO ASSIM]

Há coisas que doem sem ser. Aquelas que não se pode prever. As que se esquadrinha sem se ter chance de saber. Há o fato de que os porquês têm validade de importância. De que sabê-los não pode contê-los, e sendo assim, não te resta muito além de descansar. Tolo é quem não o faz. Tola, eu às vezes me admito. Mas tento compensar rindo quando te vejo. E penso que eu, na verdade, não sofro tanto assim.

Wednesday, May 27, 2009

[AMOR SEM DESCANSO]

Não sobra quase nada quando falta o amor. É que a existência toda já aconteceu por intermédio dele. E o que nela se pode perpetuar, vem dele diretamente. É um ciclo que de tão óbvio nem precisa ser chamado assim. É um rumo que se dá porque assim sucede, diante do qual você não tem muitas escolhas. Diante dele você também se sente pequeno. Impotente. Às vezes até só. Uma sensação que mais esquisita não pode existir é a idéia de que o amor, em qualquer pessoa, fica escondido no mesmo lugar. Canalizá-lo pode ser difícil. Transformá-lo em atitudes, talvez até mais. O que pode dar errado no curso das coisas é que às vezes ele pode estar ali, pronto para ser doado, sem ter onde repousar.

Wednesday, January 07, 2009

Hoje não tenho pressa. Só uma vontadezinha de que o que começou não se consume, mas tome o rumo que nasceu para tomar.

Quero nós em todos os pontos, tempo suficiente para o coração esfriar depois dos melhores momentos. Quero todas as palavras ditas. Nenhuma entrecortada, nenhuma contida no esforço de deixar que qualquer outra coisa fale.

Vai valer a pena degustar esse agora assim descansada. A felicidade que eu vou ter vai ter o tamanho da minha alma. A tranqüilidade que eu vou receber vai ser bonita e branda. Como a feição que eu quero ter daqui a quarenta anos. Como os filhos que quero gerar. De preferência no outono.

Thursday, November 06, 2008

[ESPERA]


Tem sabor de saliva

cheiro de bolo no forno

não tem paz.

Tem o tamanho do pleno

parece um pouco com o vazio

mas vazia não pode ser

porque nela tem

saudade

medo

e quase sempre amor.

Saturday, September 13, 2008



[TEMPO]

Nunca existiu na sabedoria da minha infância. Só demorou passar depois que a roda viva me deixou totalmente tonta, esperando um dia voltar a uma completude que não sei se sequer já existiu. Talvez o que não existiu foi a consciência de que existe o completo – e por isso o que talvez tenha existido tenha sido o que chamam de paz.

Eu já tive paz. Hoje em dia é o que busco. É uma busca que, no entanto, se adéqua ao que preciso; se encaixa em quem eu quero ser. A paz que eu quero não tem tempo. É aquela da infância, que nem sabe que está ali. Ela pode ser pueril e sem cor. Só precisa ter o meu nome e o meu tamanho. Só precisa ser pra mim.

Friday, August 08, 2008



Tenho uma tendência a achar que o mundo sofre de mazelas muito diferentes das minhas. De questões mais profundas, ou mais convenientes. De dúvidas menos freqüentes, dificuldades menos latentes. Às vezes, porém, me ocorre cada alegria sem sentido. Sensações que não sei se mereço. O mundo pára diversas vezes em seu curso, comigo no curso dele. O outono favorece a minha solidão. Nina Simone embala a minha paixão, essa que não sei a quem dedico, já que os extremos em que vivo são tão tênues que não sei o que seria de mim se ainda fosse adolescente nesses dias. Juro que quero coisas inalcançáveis. Quero as coisas de que menos sei. Os riscos que mais me parecem absurdos. Mas não sei bem de que se trata o meu querer. Em qual tipo de rótulo ele se encaixa. Se for na escala da calma, posso perecer. Se for na escala da paixão, posso apenas ser - Quem eu sempre quis.

Wednesday, July 16, 2008

Que bom seria ter um amor como você. Amor que acordasse cedinho, que gostasse de café forte e tempo frio. Iríamos a lugares humildezinhos caminhar desperdiçando o tempo. Falaríamos dos assuntos que nos atormentam. Da de Maria que casou, do salário que atrasou, de como a vida pode ser ingrata e sem sabor.

Que pena que esse mundo é o lugar em que viemos parar. Que bom que para compensar, nos encontramos. Que maldade a minha de, de te querer para mim sem limites. Tenho vontade de saber se sou mesmo apenas fruto da humanidade pós-moderna convencida pelas convenções ou se é mesmo amor essa coisa que me faz mal conseguir respirar.